"Conselho de Paz" de Trump tranquiliza Israel após preocupações sobre Gaza

"Conselho de Paz" de Trump tranquiliza Israel após preocupações sobre Gaza

Israel teme que, se sair de Gaza antes do desarmamento total do Hamas, o grupo islamita volte a expandir a sua presença pelo enclave.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Dawoud Abu Alkas - Reuters

O "Conselho de Paz" de Donald Trump, responsável por implementar a segunda fase do plano de paz em Gaza, garantiu esta segunda-feira ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que Israel apenas terá de retirar-se do enclave quando estiver concluído o desarmamento "total" do Hamas.

"Está registado que a retirada total das Forças de Defesa de Israel (...) só irá realizar-se quando o desarmamento estiver concluído, tal como o Hamas se comprometeu a fazer perante os mediadores", escreveu o Conselho na rede social X.

O alto representante deste "Conselho de Paz" para Gaza, Nikolaï Mladenov, esteve reunido esta segunda-feira com Benjamin Netanyahu. No final, descreveu o encontro como "difícil".

O Conselho declarou, no entanto, ter chegado a um "entendimento comum sobre os objetivos partilhados" com Israel.

As declarações surgem depois de Telavive ter manifestado a Washington "graves preocupações de segurança" relativamente ao acordo anunciado por Donald Trump para dar início à segunda fase do seu plano para a paz em Gaza.

"Israel transmitiu aos seus homólogos americanos os seus comentários e preocupações sobre o quadro proposto", disse à agência France-Presse um porta-voz de Benjamin Netanyahu. "A versão tornada pública não reflete a posição de Israel".

"A nossa avaliação é que, se nos deslocarmos antes de o Hamas estar verdadeiramente desarmado, o grupo expandirá rapidamente a sua presença por toda a Faixa de Gaza, reconstruirá a sua infraestrutura terrorista, voltará a ameaçar as comunidades israelitas e tentará levar a cabo outro ataque ao estilo do 7 de outubro", acrescentou o porta-voz.Pelo menos 19 mortos em ataques israelitas desde domingo
O Hamas confirmou na passada sexta-feira a conclusão de um acordo sobre o seu desarmamento na Faixa de Gaza, previsto na segunda fase do cessar-fogo entre o movimento islamita palestiniano e Israel, um ponto-chave do plano de paz de Donald Trump.

A versão divulgada pelo Hamas prevê, nomeadamente, o fim das operações militares de ambas as partes, assim como o desmantelamento do armamento do Hamas e o seu armazenamento pelo Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um órgão tecnocrático palestiniano responsável por gerir o território numa fase de transição.

Este desarmamento estará associado a uma retirada progressiva de Israel, devendo a Força Internacional de Estabilização (ISF), atualmente em fase de formação, ser destacada para separar as forças israelitas das zonas controladas pelo NCAG.

No entanto, Israel reiterou esta segunda-feira que "não recuaria e continuaria a combater qualquer ameaça", segundo uma fonte da AFP.

Após o anúncio do acordo, Telavive continuou os seus ataques a Gaza, com mais de uma dezena de ataques aéreos registados desde domingo e pelo menos 19 vítimas mortais.

c/ agências
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